
Mais ousada e livre que nunca, Sheryl Crow envereda por caminhos que são ao mesmo tempo profundamente pessoais e também enormemente universais em seu novo álbum, Detours (Interscope/A&M Records). Recheado de canções sobre começos, fins, mudanças, separações, uniões e permanências, e ainda com trechos de todas as estradas que passam entre estas diversas etapas das nossas vidas, Detours chega inspirado por "como eu sinto que as coisas estão no mundo e ainda por tudo que aconteceu comigo nos últimos anos", sentencia a cantora e compositora dona de nove Grammys e de talento para dar e vender.
As letras de Crow vão do fim de um relacionamento, passando pela adoção de uma criança (o bebê Wyatt, que tem participação especial em "Lullaby For Wyatt") até uma batalha pública contra um câncer de mama e ainda a Guerra no Iraque ("Peace Be Upon Us", com Ahmed Al Hirmi cantando em árabe), um desastre ambiental ("Gasoline" que traz Ben Harper) e a catástrofe que foi a passagem do furacão Katrina em Nova Orleãs ("Love Is Free").
Marcando seu reencontro com Bill Bottrell, que foi o produtor do seu sensacional disco de estréia em 1993, Tuesday Night Music Club, Detours pavimenta seus passos pelo cenário musical pop começando com o rock "Shine Over Babylon" e ainda o folk acústico de "God Bless This Mess" até ir bater na melancólica "Diamond Ring". O mais engraçado é que foi uma ligação assim, do nada, da parte de Crow, que marcou a reconciliação da artista com Bottrell e que culminou com o produtor indo parar no estúdio que ela tem em sua fazenda perto de Nashville, já para produzir o sexto disco de estúdio da cantora.
Todos os trabalhos anteriores de Crow foram parar entre as Top 10 e conquistaram, no mínimo, discos de platina. Tuesday Night Music Club recebeu sete deles e chegou ao terceiro lugar nas paradas, além de ter conquistado três Grammys -- Artista Revelação, Disco do Ano e ainda Melhor Apresentação de Pop Vocal Feminino pelo clássico "All I Wanna Do". E isso tudo para um álbum que ainda trazia "Strong Enough", "Can't Cry Anymore" e "Leaving Las Vegas".
Já em 1996, foi a vez de Sheryl Crow faturar três discos de platina e atingir a sexta posição nas paradas. Sem contar aí os Grammys que ela conquistou como Melhor Disco de Rock e Melhor Vocal Rock Feminino com "If It Makes You Happy". Depois, em 1998, a fera repetiu a dose, agora com um disco de platina e o quinto lugar nas paradas com The Globe Sessions. O trabalho também lhe garantiu o Grammy de Melhor Disco de Rock, enquanto duas de suas faixas, "Everyday Is A Winding Road" e "My Favorite Mistake", chegavam à Top 20 de música pop.
O novo milênio trouxe, em 2002, outro trabalho de Crow a faturar disco de platina: C'mon C'mon. O álbum atingiu o segundo lugar nas paradas, com "Soak Up The Sun" batendo nas Top 20 e "Steve McQueen" garantindo a Crow um Grammy de Melhor Vocal Feminino de Rock. Tudo isso parece ter preparado terreno para a compilação de seus maiores sucessos que saiu em 2003 – The Very Best Of Shreyl Crow ganhou quatro discos de platina, ficou em segundo lugar nas paradas, e trouxe uma pérola inédita, com uma nova versão de "The First Cut Is The Deepest", de Cat Stevens. Na seqüência, em 2005, foi a vez de Wildflower, outro trabalho de Crow a conquistar disco de platina. O álbum ficou em segundo lugar nas paradas e contava ainda com a participação de ninguém menos que Sting, em "Always On Your Side".
Agora, em Detours, mais uma vez Sheryl Crow abre a boca e a alma sem medo do que tem a dizer ao mundo e assim continua sua jornada de autodescoberta que tanto tem seduzido nossas mentes e corações.



